Centro de Educação a distância

Ideia surgiu em Presidente Prudente para conciliar tecnologia e ensino. Grupo pretende avaliar a aceitação dos docentes à iniciativa.

Pensar num mundo sem tecnologia atualmente é quase uma loucura, então, por que não incluí-la mais ativamente nas salas de aula? É esse o objetivo de um grupo de alunos do mestrado em Educação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Presidente Prudente, que desenvolveram o “Metaplicativo”, que é um aplicativo que ensina os professores a aproveitar a tecnologia dos dispositivos móveis em favor do aprendizado dos seus alunos.

Disponível para download a partir desta semana em um site de aplicativos, a novidade totalmente gratuita vem de encontro ao que a “geração digital”, formada pelos alunos de hoje, precisa para estar mais sintonizada com os estudos.

Segundo Adriana Terçariol, professora que, juntamente com os professores Elisa Schlünzen, Klaus Schlünzen e Danielle Santos, ajudou no processo de construção do projeto, alguns estudos mostram a urgência de se rever a postura adotada pelos docentes em sala de aula.

“Precisamos atuar de forma mais coerente e sintonizada com o perfil dos estudantes que estão chegando às escolas, que é o de nativos digitais”, conclui.

Através do aplicativo, é possível trocar experiências com outros professores, ler textos e escutar áudios sobre o tema e ainda fazer um “App” com os alunos. A ferramenta apresenta os seguintes tópicos: “Acesse os áudios”, “Mobilidade na educação”, “Como usar a mobilidade”, “Relatos de experiência”, “Textos para leitura” e “Faça seu APP”.

Os alunos que fizeram o projeto são Ana Siqueira, Deborah Zaduski, Fernanda Mello, Elaine Mussi, Odair Benedito Francisco e Priscila Guidini.

‘Casamento’

Fernanda, que é professora de uma universidade de Presidente Prudente e integra o grupo, diz que eles precisavam executar um projeto de cunho educacional para concluir uma das disciplinas e, durante um momento de reflexão, auxiliados pelo professor Klaus Schlünzen, surgiu a ideia de fazer um aplicativo.

“Nada melhor do que falar sobre dispositivos móveis utilizando como ferramenta um dispositivo móvel, casou muito bem a proposta. O professor pode levá-lo a qualquer lugar e pode utilizá-lo em qualquer nível de ensino, seja no fundamental, no médio ou no superior.”, afirma.

Quanto à disseminação da ferramenta, o grupo pretende começar devagar para ver a aceitação dos docentes. “Primeiramente iremos divulgar através das mídias sociais, mas, quem sabe, podemos fazer futuramente uma parceria com uma instituição de ensino, vamos ver como a novidade será recebida pelos docentes”, justifica Fernanda.

Verônica Vani é professora no ensino fundamental e já baixou e utilizou o aplicativo. Segundo ela, essa ferramenta, além de fácil de usar, mostra que a tecnologia é aliada do aprendizado. “O aplicativo ensina a fazer um stop-motion e foi do que eu mais gostei, é muito divertido e qualquer pessoa consegue fazer um”, conta.

Cartilha da Unesco

Deborah Zaduski, outra professora que fez parte do grupo que desenvolveu o projeto, diz que eles se basearam em estudos que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) fez sobre a utilização de dispositivos móveis nas salas de aula.

“A cartilha da Unesco apresenta 13 bons motivos para a utilização de dispositivos móveis na sala de aula em busca de desmistificar a ideia de que o celular é um vilão do aprendizado, e foi por esse caminho que visamos apoiar nosso projeto”, salienta.

Já a professora de Filosofia Elaine Mussi, que também foi uma das integrantes do grupo que criou o aplicativo, levou a proposta para uma turma do segundo ano do ensino médio da Escola Estadual Professor Ayrton Busch, em Bauru (SP). “No começo, eles ficaram com receio, pois achavam que seria impossível eles mesmos criarem um aplicativo. Mas, depois de tudo explicado, eles viram que é muito fácil e que não precisa ter conhecimento em programação para fazer essa atividade”, comenta a professora.

Pesquisa de conteúdo

A primeira missão que ela deu aos seus alunos foi entender o que seria um aplicativo. Depois, foram atrás do tema que iria compor a ferramenta. “Surgiu a ideia de mostrar a escola para as pessoas da comunidade, pois, por estar num bairro de periferia que apresenta inúmeros problemas sociais, é uma escola vista com maus olhos por quem é de fora”, afirma Elaine.

Os próximos passos da turma foram a pesquisa de conteúdo para abastecer o aplicativo e criá-lo através de uma plataforma gratuita na internet. A professora concluiu que o resultado foi surpreendente. “Foi muito legal perceber que os alunos criaram um sentimento com a escola ao fazer um trabalho sobre ela. Eles estavam muito motivados e conseguiram perceber a importância do trabalho em equipe, que é necessário para a atividade dar certo”, enfatiza.

(Com a colaboração de Fábio Reis, da TV Fronteira).

Fonte: G1

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